Tesouros árabes no Alentejo

Os árabes chegaram ao Alentejo no século 8 e governaram até 1249, quando a Guerra da Reconquista trouxe as últimas de suas terras para o novo reino de Portugal. Ao visitar o Alentejo, você descobrirá traços de uma arquitetura com forte influência moura em diversas cidades, um legado da época. São castelos, casas e até mesquitas reformuladas para tornarem-se igrejas cristãs.

O estilo conhecido como manuelinomudéjar mescla os traços arquitetônicos árabes e ibéricos, criando edificações únicas. Este período viu um boom no aprendizado e nas artes, com a introdução de telhas de cerâmica decoradas, ou azulejos, bem como tecelagem de tapeçarias e tapetes, artigos de couro e artesanato de joias.

A maioria das cidades a sul do Tejo têm nomes árabes ou romanos. Além dos nomes dos lugares, os mouros deixaram uma impressão cultural na língua e na comida. Muitas palavras árabes permanecem em português. Palavras tão simples como bairro, cabide, sofá, marfim e almofada, por exemplo. Os mouros ainda deram a Portugal limões, coentros e passas.

Mértola, a cidade mais árabe de Portugal

Mértola

Um dos vestígios mouros mais conhecidos é a igreja de Mértola, cujas colunas esguias, portas de fechadura islâmicas e arquitetura denunciam o fato de ter sido uma mesquita do século 12. A mesquita quadrada, agora igreja de Santa Maria, é um exemplo único das riquezas perdidas de um Portugal mouro.

Aliás, Mértola é chamada de “a cidade mais árabe de Portugal”, um verdadeiro tesouro arqueológico, com escavações que revelam vestígios dos muitos governantes da cidade nos últimos 2.500 anos. A cada dois anos, no mês de maio, Mértola recebe um Festival Islâmico. Na ocasião, a cidade é decorada para se assemelhar a um souk. As festividades duram alguns dias com música típica árabe, comida e artesanato. A próxima edição do festival acontece entre os dias 18 e 21 de maio de 2023.

Castelos mouros

Castelo de Alvito

No Castelo de Alvito, construído em 1494, é possível encontrar diversos traços da presença árabe, entre os quais se destacam as pequenas cúpulas e coruchéus cônicos pintados de branco. Hoje, o antigo castelo funciona como uma pousada.

Outra construção desse período é castelo localizado em Alcácer do Sal, um exemplo da arquitetura militar islâmica com planta elíptica. Ainda hoje é possível ver vestígios de suas muralhas, torres em alvenaria de pedra e outras estruturas defensivas. Atualmente, o castelo abriga a Pousada D. Afonso II, confortavelmente situada numa colina com vista para as águas tranquilas do Rio Sado.

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